Maestro Luiz Gonzaga Franco

Luiz Gonzaga Franco nasceu em Socorro/SP em 30 de abril de 1918. Filho de pai músico, o clarinetista José Franco, iniciou o estudo de música muito jovem, com o Maestro José Pedro. Na juventude mudou-se para São Paulo, onde estudou violino com excelentes professores. Nesta época, trabalhava o dia todo na tinturaria de um tio, para poder estudar violino à noite. Além disso, tocava em cinemas antes dos filmes começarem, em orquestras amadoras e também da Orquestra do Colégio Coração de Jesus. Foram 5 anos de estudos, visando realizar seu sonho de ser um concertista de violino. Nessa época, viver de música não era tarefa fácil, e a necessidade de dedicação ao trabalho o impediu de continuar seus estudos de especialização.

Mas, mesmo assim, nunca deixou de tocar, e nas suas vindas a Socorro fazia sucesso ao se apresentar junto com os músicos locais, sendo admirado por seu virtuosismo na execução do violino e seu conhecimento de teoria musical.

Casou-se em Socorro com Maria Fernandes da Silva Franco, com quem teve três filhos: Sergio, que também é músico, José e Eduardo.

Por volta de 1963, o seu primeiro professor José Pedro, então Maestro da Corporação Musical Santa Cecília, lhe fez um pedido: “assumir a regência da Banda”, pois o mesmo já se encontrava com quase 100 anos.

Ao assumir essa missão, reorganizou e ampliou todo o repertório da banda, fazendo adaptações de música erudita para instrumentos de banda, escrevendo arranjos, o que demandou escrever manualmente milhares de partituras. Foram anos de sua vida dedicados a tornar a banda uma das melhores do Estado de São Paulo.

Para melhor desenvolver seu trabalho estudou clarinete e requinta, tocando na banda quando era necessário.

Logo percebeu que havia muitos músicos com idade avançada, e que era necessária a renovação do quadro. Por isso, fundou, em conjunto com a diretoria da Banda, a Escola Municipal de Música, com o objetivo de formar novos músicos para garantir a existência da mesma no futuro.

Além de excelente músico, o maestro conseguiu ser um grande regente, graças ao respeito que conquistou perante os componentes da banda, por sua competência musical, conhecimento teórico, habilidade em liderar, capacidade de motivar pessoas e manter o clima de amizade e cooperação entre todos. Sempre foi conhecido por todos por sua serenidade, seu senso de justiça, honestidade e dedicação.

Organizou na década de 1980 os Concursos de Bandas em Socorro, trazendo para a cidade dezenas das melhores corporações do país.

Depois de 10 anos a frente da Banda, achou que era hora de passar a batuta para um novo maestro, na época o Professor Ivair Pilatieri, e começar a se dedicar a formação de violinistas na cidade, já que era o único em atividade. Seu sonho era, um dia, montar uma pequena orquestra. Desde essa época já falava na criação de um conservatório musical em Socorro, para ensinar instrumentos de corda, além dos já ensinados na Escola de Música.

Nesse meio tempo, um grupo de excelentes músicos, dissidentes da antiga Banda resolveu montar uma segunda banda de música em Socorro, convidando o Luiz para Maestro. Não conseguiu resistir à tentação e por vários anos esteve à frente de mais esse projeto.

Mas não parou por aí e resolveu estudar violão clássico. Formou uma dupla com o violonista Mário Pieroni, executando os grandes clássicos do repertório violonístico. Além disso, começou a dar aulas de violão, sem deixar de lecionar violino, formando centenas de novos músicos. Até os seus 92 anos se dedicou intensamente ao ensino da música, mas até hoje, é procurado semanalmente por músicos iniciantes, ou ex-alunos, para dar orientações.

Nos anos 1970 formou junto com seus amigos: Táta e Plínio Niero, Tutu, Ney Sígolo e outros, o “Conjunto da Saudade”, com o objetivo de resgatar as velhas músicas que já não se ouviam na programação das emissoras de rádio e TV.

Com 70 anos, quando é normal diminuir o ritmo das atividades, o Luiz resolve se dedicar a um novo instrumento: a flauta. Estudou exaustivamente, se tornando também professor desse instrumento. Ele é exemplo para quem pensa estar velho para iniciar um novo desafio.

Na década de 2000 formou o conjunto “Carinhoso”, com Felipe Mello, Clayton, Tutú e seu filho Sergio Franco. Por esse conjunto passaram músicos como o Toninho Mariano e muitos outros, tocando todos os domingos no palco do Hotel Fazenda Campo dos Sonhos, de propriedade de seu filho José, e nos eventos culturais da cidade.

Já com mais de 90 anos, continuava insistindo na ideia de formação de um conservatório em Socorro, buscando o apoio da Prefeitura, através do então vice-prefeito Jorge Fruchi. Entusiasmado com a evolução musical de seus ex-alunos Ângelo Bonetti e Felipe Mello e dos músicos Leandro Lima, Fernando Perre e Gabriel Perre, que estudavam em Tatuí, pediu auxilio ao seu filho Sergio, para ajudá-lo a sensibilizar a Prefeitura a montar um conservatório em Socorro, começando por visitar o projeto de Tatuí, para tê-lo como referencia. Simultaneamente a isso, esses socorrenses, que já haviam se formado e se tornado professores de música, também alimentavam o mesmo sonho. Em 2010, o grupo de professores, com apoio da Prefeitura Municipal e do projeto do Governo Federal “Ponto de Cultura”, deram início as atividades do conservatório, que hoje já tem mais de 300 alunos e já fez várias apresentações na cidade. O Sonho do Maestro estava realizado.

Os atuais dirigentes e professores do conservatório e a Prefeitura Municipal de Socorro, em reconhecimento a essa vida de dedicação à música, resolveram propor a oficialização do Conservatório Municipal de Socorro, através de um decreto municipal, colocando nele o nome do Maestro Luiz Gonzaga Franco.

O Maestro Luiz Gonzaga Franco faleceu em 18 de setembro de 2017 com 99 anos.

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